Entrevista com Wil Hahn

Ex-campeão da Costa Leste 250SX do AMA Supercross, Wil Hahn anunciou sua aposentadoria das competições no final da temporada 2016 e na primavera de 2017 assumiu seu novo papel na indústria como assistente de chefe de equipe da Monster Energy/Yamalube/Star Racing Yamaha. E parece que foi em boa hora, a equipe tem arrasado desde então com vários pilotos dando um show de performance e Aaron Plessinger conquistando os títulos da Costa Oeste 250SX do Supercross e das 250cc do Motocross nesta temporada. O site norte americano RacerX bateu um papo com Hahn sobre seu primeiro ano nesta função.

RacerX: Seu como como chefe de equipe assistente na Monster Energy/Yamalube/Star Racing Yamaha acabou e a equipe arrasou. Como foi pra você? 

Hahn: Além de não vencer a Costa Leste 250SX, eu não acho que você poderia desenhar um ano melhor para nós. Aaron fez exatamente o que ele começou a fazer em Outubro. Ele fez algumas mudanças em sua vida, fez alguns sacrifícios e fez acontecer. Ele se comprometeu e conseguiu. E não só isso, nós tivemos vários vencedores no Motocross com Justin (Cooper) e Dylan (Ferrandis) também no pódio. Foi uma droga não termos Mitchell (Oldenburg) na pista, mas esses caras estiveram no pódio em um momento ou outro. Isso é muito legal, principalmente se considerarmos que começamos a temporada com apenas dois pilotos. Olhando pra trás, nós não poderíamos estar mais felizes com como tudo foi e o progresso que todos fizemos, incluindo eu mesmo. Tudo vem de toda essa equipe e como estamos trabalhando juntos. Não acho que ninguém merece crédito sozinho. Todos nós viemos juntos e sabíamos que precisávamos fazer. Muito disso vem de Bobby (Regan) e Brad (Hoffman). Aqueles dois estão no ramo a tanto tempo e realmente entendem a direção da equipe e quem colocar lá para fazer as coisas bem sucedidas. Mas no final do dia, nós apenas temos um grupo muito bom de pessoas. Desde os mecânicos até Swanny (o treinador Gareth Swanepoel), todo o staff é ótimo.

RacerX: Você ainda estás corridas, obviamente, mas não está correndo. O quão diferente é pessoalmente para você estar do outro lado das coisas? Como é estar lá, mas não correr?

Hahn: É definitivamente diferente. E eu estava curioso sobre a sensação de tudo isso, sabe, estar lá e se eu ainda teria a mesma empolgação em ver a equipe vencer ou ter sucesso. Surpreendentemente, é a mesma satisfação que sentia quando corria. Eu estava pensando se aquilo seria um grande vazio na minha vida, mas eu não tenho isso. Eu ainda posso pilotar uma moto de fábrica, eu ainda faço um pouco de teste, mas sem o estresse de estar em serviço. Eu vou como eu quero, no meu ritmo e tempo. A maior diferença é que você está preocupado com outras pessoas ao invés de apenas ser “egoísta” e se preocupar consigo mesmo. Você se preocupa com quatro pilotos, mecânicos, staff e isso e aquilo. Eu amo isso. A melhor coisa é que quando chove como choveu em Indiana, eu não preciso entrar na pista mais!

RacerX: Qual foi o aspecto do trabalho mais inesperado que você encontrou?

Hahn: Eu esperava que seria trabalho duro e longos dias. E é. Nós somos rápidos. Quando estamos correndo, quando estamos na oficina todo dia e depois você viaja para ir para as corridas e volta no domingo. Você tem cerca de meio domingo para reagrupar e se preparar para a semana seguinte. Como piloto, eu não acho que você percebe como é mimado as vezes. Em alguns dias, você pode ter apenas uma ou duas horas de treino para fazer e o reto do dia é seu para fazer as suas coisas, ir ao mercado, qualquer coisa. É apenas encontrar o equilíbrio de ser organizado em asa. Eu sabia que não ia ser fácil, mas acho que vir para a Monster Energy/Yamalube/Star Racing Yamaha foi a melhor decisão que já tomei em minha vida.

RacerX: Perguntei aos outros rapazes essa perguntar e eles normalmente dizem que é a quantidade de emails e mensagens que eles recebem.

Hahn: Esse é um bom ponto, mas eu sabia que isso seria parte. Você é o cara que todo procura, não só para a equipe, mas para as pessoas que estão interessadas na equipe, imprensa, qualquer coisa assim. A primeira coisa que fiz foi comprar um notebook para a oficina, eu tenho um em casa e tenho o iPad no avião. Não para nunca.

RacerX: Eu ouvi você falar sobre como aquelas corridas 125 All Star foram. Quanto tempo você treinou para se preparar para elas?

Hahn: Em Hangtown, eu na verdade cai umas seis semanas antes testando uma 250 e machuquei meu joelho. Eu acho que andei uma ou duas vezes antes de Hangtown. Mas eu queria correr mesmo assim e fui despreparado e foi relativamente bem. De qualquer forma, eu ainda treino de manhã antes de ir trabalhar. Eu não parei com isso. Eu posso estar um pouco mais tolerante com algumas coisas, como tomar uma taça de vinho ou uma cerveja antes do jantar, o que eu não fazia quando estava correndo, mas eu ainda treino uma quantia decente. Mas para o restante das etapas, eu tentei treinar com a moto por dois dias antes da corrida ao invés de apenas ir correr direto.

 

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Hahn também competiu no 125 All Star Series, vencendo em Thunder Valley e subindo no pódio em Hangtown, High Point e Washougal. – Photo by: Jeff Kardas

RacerX: Aquelas corridas fizeram você querer voltar a competir?

Hahn: Sempre existem esses sentimentos. Eu não sei se você vais e livrar completamente deles até que você não possa correr do jeito que quer. Ainda existem momento. Eu faço muitos testes e algumas vezes me sinto muito bem na moto e tudo parece se encaixar. Eu nunca tinha piloto uma moto como a nossa em uma pista de motocross e pra mim, o motocross sempre foi a maior batalha. E agora, pilotando aquela moto no motocross, existem muitos ‘e se’, não vou mentir. Isso faz você pensar que ainda pode fazer algo dentro da pista. Sempre vai existir aquela pequena parte de mim que não se importaria em fazer isso. Mas então cai a ficha da realidade. Por exemplo, eu cai testando na segunda feira e foi assim ‘foi por isso que parei de fazer isso.’ Não é que eu esteja com medo de me machucar, é apenas que não quero passar por todo aquele processo novamente. É um estresse desnecessário. Mas no seu cérebro, sim, você sempre terá aquele pensamento. Eu estou tão feliz com o que estou fazendo que não tenho aquele vazio no qual sinta que preciso fazer aquilo. Todo mundo em nossa equipe apenas trabalha duro, todo o staff e eu vejo isso diariamente.

RacerX: Falando nisso, fale um pouco sobre a atual infraestrutura da equipe que a maioria dos fãs não vêem, e até alguns pilotos algumas vezes nem ficam sabendo. Existem muitos componentes em uma equipe campeã. 

Hahn: Eu acho que o cara mais importante que passa despercebido é o motorista da carreta. Ele dirige toda quilometragem, ele limpa o equipamento, ele cozinha a comida, ele liga tudo. Nós chegamos na pista de manhã e o café da manhã está preparado para todo mundo. E se um piloto pede alguma coisa, ele com certeza garantirá que tenha ovos, mingau, seja o que for, pronto para eles também. Isso passa praticamente despercebido. E todo o staff. Brad, jeremy (Coker), eu mesmo, Drew (Hopkins) e todos os mecânicos. Todos esses caras são os heróis desconhecidos. Eles estão lá no domingo depois da corrida às seis da manhã reconstruindo as motos de corrida, eles voltam e depois eles embarcam novamente na quinta feira. Todos nós sacrificamos muito para fazer o que amamos e é legal. É legal estar em uma equipe onde todos se dão tão bem como nós. Parece mais uma família do que ter um emprego. A camaradagem que temos é muito especial.

RacerX: Vencer campeonatos provavelmente ajuda também, né?

Hahn: (Risos) Sim.

Fonte: RacerX

Cover photo by: RacerX

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