Bate papo com Jorge Balbi Júnior

Ele é considerado o piloto mais bem sucedido da história do motocross brasileiro, com uma carreira nacional e internacional desejável por qualquer piloto, com destaque para diversos títulos brasileiros e diversas atuações de sucesso no AMA Supercross e Motocross das Nações.
Em 2016, sofreu um grave acidente que mudou completamente a sua carreira, tirando-o das pistas e depois de momentos extremamente difíceis, ele hoje é o chefe de equipe da Kawasaki Pro Tork. Jorge Balbi Júnior bateu um papo com o MMXCrossWorld, em uma das entrevistas mais viscerais e emocionantes que já fiz. Confira!
MMXCrossWorld – Boa noite Jorginho. Seja bem vindo ao MMXCrossWorld. Primeiramente, muito obrigada por tirar esse tempo para conversar com a gente. Segundo, quero te parabenizar pelo filhão. Está crescendo muito rápido! Ele já tem o gosto pelas 2 rodas que a família inteira tem??
Balbi – Bem, eu que agradeço o MMXCrossWorld pela oportunidade. É sempre bom poder falar de Motocross, é o que eu gosto bastante. As vezes me empolgo e falo muito, mas é um prazer poder estar falando sobre esse esporte que a gente ama tanto. Referente ao meu filho, acho que ele é o maior presente que Deus me deu até hoje. Ele realmente está crescendo e as coisas passam rápido. A tragédia do meu acidente impossibilitou que eu continuasse nas pistas e tudo, me deu a oportunidade de passar muito tempo junto com ele e eu tenho uma imensa gratidão por isso. E é muito divertido. Não tenho como mentir, ele também gosta muito de moto. Tenho tentado ser o mais cuidadoso possível com o assunto, mas ele é apaixonado por moto, já anda de bicicleta, todas as brincadeiras dele são referentes a moto. Mas por enquanto ele é muito pequeno ainda e quero que ele simplesmente ande de bicicleta, assista as corridas comigo e vamos ver… O futuro à Deus pertence! Mas a paixão pela moto já da para ver que ele tem no sangue.

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O clã Balbi reunido no casamento de Jorginho em Novembro de 2018 – Foto: Facebook Antonio Balbi
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A família de Jorge Balbi Jr. Photo: Facebook Antonio Balbi

MMXCrossWorld – Vamos falar sobre um assunto delicado, em 2016 sua vida mudou completamente. Aquele acidente chocou a todos e virou sua vida do avesso. Foram momentos muito difíceis. Comente um pouco sobre aquele momento e os meses que se seguiram até você chegar onde está hoje, por favor.
Balbi – Sim, meu acidente foi algo realmente muito complicado. Algo que marcou e mudou a minha vida para sempre. Mas apesar de tudo, eu consigo falar tranquilamente sobre o assunto. Minha realidade mudou bastante, mas a gente precisa encarar os fatos e acho que foi algo muito difícil. Eu tava em um momento muito especial da minha vida, estava feliz com o que estava fazendo, apesar de estar com uma idade avançada para ser piloto profissional de motocross. Eu tinha 36 anos, continuava competitivo, tinha vencido um campeonato no final da temporada 3 ou 4 meses antes do meu acidente, venci uma bateria do Arena, mas aconteceu aquilo e foi algo muito trágico no momento. É difícil até de explicar. Você se vê deitado em uma maca, sem movimento nenhum do pescoço para baixo e tendo conhecimento, que eu já tinha naquele momento, lembro das horas, dos dias, enfim e dos meses após meu acidente. Foi algo muito difícil e quando eu olho para trás não sei de onde tirei forças para superar e tenho certeza de que apesar de ter sofrido tanto e passado por tanta dificuldades, Deus estava do meu lado. Foi uma série de acontecimentos. Primeiro foi a fratura da vértebra com a lesão na medula que é o me deixou tetraplégico naquele momento e por dias pós meu acidente. E depois sofri de algumas úlceras hemorrágicas e tive muita hemorragia, fiz muita transfusão. Resumindo, foram sete cirurgias ao todo e quando parecia não ter mais o que fazer, parece que as coisas começaram a melhorar. Eu passava dias vomitando sangue, fazendo transfusão e fazendo cirurgia, enfim…até que os médicos no CTI falaram que já não tinha mais o que fazer e tentaram uma última cirurgia e foi a que resolveu o meu problema. Nesse meio tempo, tive vários outros contratempos. Foi-se cogitado ter que amputar as minhas pernas por causa de êmbolos que eu tive. Realmente, a tragédia maior possível que podia acontecer, aconteceu. Minha esposa grávida, eu no hospital, meu filho nasceu. Enfim, foi algo muito doloroso, mas graças a Deus eu acredito que sai vitorioso e consegui superar e ainda continuo tentando superar. E após sair do hospital, após dois meses internado, começou uma outra batalha que era a de reabilitar e tentar recuperar os movimentos. Meu prognóstico não era bom, os médicos a princípio afirmaram que eu ficaria numa cama para sempre, mas graças a Deus eu tive uma segunda chance e comecei a recuperar alguns movimentos. Durante todo o tempo que estava no hospital, sempre mentalizava meu corpo se recuperando, mentalizava meus braços e pernas mexendo e pouco a pouco alguns movimentos foram voltando e a cada movimento que voltava, eu trabalhava incansavelmente, trabalho até hoje, para que eu pudesse melhorar esses movimentos com perfeição. Uns meses, talvez uns 6 meses após o acidente, na verdade 1 ano após o acidente, o primeiro ano foi de fisioterapia todos os dias, praticamente o tempo todo, toda força que eu tinha era dedicada a fisioterapia e enfim, consegui superar todos os prognósticos dos médicos, de voltar ficar em pé, de voltar a andar, coisa que ninguém acreditava ser possível. Lógico, ainda tenho muitas sequelas, meu corpo ainda é longe de ser um corpo normal, igual ao que tinha antes do acidente, mas eu continuo trabalhando, faço fisioterapia todos os dias ainda. Tem dias que faço de manhã e de tarde, outros dias só na parte da manhã. É uma rotina desgastante, mas eu sei que é necessária e que tem sido muito importante porque eu continuo melhorando. Estou com um pouco mais de 2 anos após o acidente e ainda acredito que ainda posso melhorar muito. Sei que dificilmente vou voltar a ser 100%, eu me considero deficiente físico, mas eu me orgulho muito das coisas que consigo fazer, da independência que conquistei e de tudo que conquistei até hoje. Cada movimento, cada coisa que consegui e consigo realizar sozinho, para mim levei como uma vitória, como os primeiros passos que eu dei, depois consegui pedalar uma bicicleta ergométrica, tirar carteira novamente para poder dirigir, enfim… pilotar uma pit bike que é a minha moto máxima que consigo atualmente (risos), mas são coisas que para quem talvez tenha uma vida normal, a gente passa despercebido, mas eu tive uma oportunidade de viver um outro lado e quando se perde tudo, a gente passa a dar um valor muito maior as pequenas coisas da vida e acho que talvez meu acidente tenha me ensinado isso (emocionado). Como atleta, as vezes você se perde em alguns momentos, você vê, eu tinha tudo e que eu era invencível e ai você se vê em uma situação onde você é refém e não tem nem mesmo condição de tomar conta de si próprio. Se rever seus conceitos, eu acho que hoje vejo o mundo de outra forma, continuo vendo inúmeras pessoas, tenho amigos deficientes físicos que conheci nas clinicas de reabilitação, as pessoas entrando com uma imensa vontade de viver e que as vezes estão presas dentro de um corpo, mas têm a mente sã. Igual a um amigo meu, Renato, que já escreveu oito livros após ter sofrido um AVC muito forte e ele não tem um movimento, não fala e a única coisa que ele faz é, eles desenvolveram um software que ele se comunica através dos movimentos dos olhos e esse cara tem um alto astral, um humor muito bacana, escreve livros fantásticos e de uma inteligência tremenda. Então eu acredito que… enfim, eu tive oportunidade de conhecer um outro lado da vida que talvez tenha me tornado um pouco mais humano e me ensinou a valorizar mais as pequenas coisas. Hoje o que eu mais valorizo é poder ter tempo em família, poder estar com meu filho e conquistar minha independência pouco a pouco.

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Três gerações na pit bike – Foto: Facebook Antonio Balbi

MMXCrossWorld – Passado tudo isso, você é um exemplo de superação surpreendente. Como que você Jorginho se sente hoje?
Balbi – Acho que me sinto em construção (gargalhadas). Durante muito tempo, talvez um ano após o meu acidente, foi muito difícil e as vezes eu não enxergava uma pessoa feliz. Mas hoje dois anos, após ter conseguido finalmente aceitar todo o processo, eu voltei a sorrir, voltei a ser uma pessoa que tem vontade de viver e que encara a vida com um sorriso e com muita alegria igual sempre encarei e eu tenho muito orgulho das coisas que consigo fazer hoje, por mais simples que ela seja eu acho que levo cada uma como uma vitória e quero fazer muita coisa ainda, não só no campo pessoal, mas no profissional também.

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Em ação na fisioterapia- Foto: Facebook Antonio Balbi

MMXCrossWorld – Sua irmã, Mariana, estuda fisioterapia. E durante todo esse período pós acidente, você precisou de um trabalho com este profissional, creio que ainda continua com o trabalho. Como você diferencia a sua visão e experiência como piloto da fisioterapia antes após acidente?
Balbi – Pois é, a Mari estudou fisioterapia, mas trancou por causa do motocross e voltou a estudar depois do meu acidente. Mas é legal abordar sobre isso. Eu tinha um conhecimento grande dessa área, afinal você vive machucado no motocross. Mas existe uma diferença muito grande entre o fisioterapeuta esportivo e ortopédico para o fisioterapeuta neurológico que trata a parte da neurologia que são as lesões de medula e cerebrais. Então é bem mais complicado esse tipo de fisioterapia. Eu tive profissionais que me ajudaram e me ajudam muito. Na verdade devo muito aos fisioterapeutas e profissionais que acreditaram em mim diferente de alguns médicos e de alguns neurologistas que me desacreditaram. Os fisioterapeutas, principalmente a Manuela Guerra que está do meu lado desde o dia que voltei para casa, me tratando, foi uma pessoa que sempre acreditou que eu ia conseguir melhorar e com certeza isso fez toda a diferença. Eu acho que é uma profissão que tenho muita gratidão e que hoje conheço bastante porque eu já fazia fisioterapia antes por causa do esporte e hoje a minha vida é composta de vários profissionais não só da parte da fisioterapia, mas da terapia ocupacional e tenho muita gratidão por esses profissionais.

MMXCrossWorld – Vamos mudar de assunto. Em 2017 você voltou ao cenário do MX como chefe de equipe da Pro Tork. Como foi essa mudança pra você?
Balbi – Sim, em 2017 a Kawasaki me deu a oportunidade de montar a equipe junto com o apoio da Pro Tork que já é meu parceira de longa data. As duas marcas tanto a Kawasaki quanto a Pro Tork, a gente vem trabalhando juntos há muitos anos. Foi muito legal essa oportunidade de continuar no esporte, de trabalhar com pilotos jovens na categoria MX2. A gente teve bastante sucesso em 2017, terminamos o campeonato brasileiro sempre dentro das três melhores, vencendo etapa do brasileiro. Em 2018 não foi diferente, a gente sempre esteve entre as três melhores. Então é muito bacana. Um pouco diferente da responsabilidade de ser piloto, mas também é um trabalho que a gente precisa se dedicar muito e precisa ser bastante sério para conseguir bons resultados.

MMXCrossWorld – Você continua passando seu conhecimento e experiência para os alunos da Balbi School. Qual a estrutura que vocês possuem na escola hoje? Como você define a importância para os pilotos em fazerem esses cursos de pilotagem?
Balbi – É muito legal trabalhar com os cursos de pilotagem da Balbi School. Comecei a trabalhar com os cursos, talvez meu primeiro curso tenha sido em 1996-1997, meu pai trabalhava com os cursos. Então a gente trabalha com a Balbi School há muitos anos. Vários pilotos, além do Balbi e da Mariana, o Swian treinou com a gente, o Marronzinho treinou com meu pai. Enfim, a gente formou ai grandes atletas, pilotos que hoje estão no Enduro, Rigor Rico que é campeão brasileiro de Enduro, Pancinha é campeão brasileiro de Enduro, todos esses pilotos também passaram pela nossa escola durante os anos. Eu gosto muito de de ministrar os cursos, acho que é muito importante passar essa experiência. Principalmente, gosto muito de abordar a questão da segurança, da questão da pilotagem limpa. Eu me orgulho muito da minha carreira, não só dos títulos e não só do quanto eu era competitivo, mas da maneira que eu pilotava, eu sempre fui muito elogiado pela pilotagem além de muito técnica e bonita, estilosa. E é o que eu tento ensinar na Balbi School. Tenho muito orgulho. Eu consigo ver os pilotos pilotando de longe e lá a parte técnica que a gente ensina, a gente tem uma estrutura legal em Belo Horizonte, mas o mercado de cursos tem ficado cada vez mais difícil. Com a crise econômica, vários pilotos têm trabalhado nesse mercado e a concorrência ta grande, o que é sempre bom e positivo, mas nem todos estão sabendo valorizar o quanto é trabalhoso e o quanto é importante, e eu jamais vou deixar a qualidade da Balbi School cair. Então isso acaba com que nosso curso tenha um valor agregado um pouco maior e eu pretendo manter assim porque eu costumo dizer que a minha maior propaganda são meus alunos, então se eu tiver que ir junto com minha família dar um curso simplesmente comercial e não ter me preocupado com resultado, eu prefiro trabalhar com outro tipo, prefiro fazer outra coisa. Mas a gente continua com a Balbi School, temos alunos que treinam com a gente semanalmente e temos alguns cursos já agendados para Janeiro.

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Balbi orientando o piloto da equipe Kawasaki Pro Tork no Brasileiro de Motocross 2018 – Photo: Facebook Mariana Balbi

MMXCrossWorld – Nos últimos 7 anos, tivemos muitas perdas no motocross brasileiro: Swian Zanoni, Marronzinho, Davis Guimarães, André Stocovich…Além de acidentes graves como o seu. Sabemos que o Motocross é um esporte de aventura e de alto risco, mas mesmo assim muitas coisas podem ser evitadas. Você sempre foi uma figura bem presente na defesa da segurança dos pilotos, das condições de pistas. Você pretende continuar lutando por mais segurança e prudência nos campeonatos? O que você acha que deve ser feito em questões de regras, legislações, vistorias, equipamentos entre outros quesitos para que esse número não aumente?
Balbi – É uma questão bastante difícil e infelizmente não é uma questão somente no Brasil, é uma questão mundial. A gente sabe que o esporte é de risco. Mas nos últimos anos, acho que esse risco aumentou bastante e assim não tem como não dizer que o aumento desse risco, na minha opinião pelo menos, o principal fator é aumento das potências das motos desde que os motores passaram de 125 e 250 2 tempos para as 250 e 450 4 tempos. Com o motor de 4 tempos, a moto aumentou o peso, a potência e principalmente a inércia. Ela acelera e freia muito mais rápido e isso faz com que o piloto seja ejetado numa velocidade muito maior e o fato de ter uma velocidade maior, aumenta sempre o risco. E sinceramente, eu acho que… é muito legal, o esporte está cada vez mais rápido e prático, mas também cada vez mais perigoso. Eu acredito que nossas pistas e nossos equipamentos de segurança, enfim, nada foi preparado para essa mudança, para o aumento da potência das motos. Se você pegar um capacete de 20 anos atrás, vamos pegar do ano 2000, e comparar com um capacete do ano de 2018 as mudanças são pouquíssimas. Se você pegar a melhor moto do ano 2000 e a melhor moto de 2018, é infinitamente impossível competir. Se você pegar uma 250 2 tempos e colocar ela para largar com uma 450 4 tempos, ou uma 125 onde a diferença é maior ainda, é impossível competir. Então o simples fato do aumento da potência e o tipo dos motores, como é o funcionamento do motor 4 tempos para o motor 2 tempos, isso alterou e muito, aumentou muito o risco do esporte. E infelizmente no Brasil, a gente ainda está menos preparado do que lá fora. A gente tem o chão muito duro, qualquer queda no solo brasileiro, o impacto é muito grande e ai a gente entra em várias questões. Questões de bandeirinhas, onde a gente poderia ter talvez evitado o acidente do piloto Stocovich. No caso do Swian, eu não sei se foi talvez uma falha da organização do evento. Enfim, isso são fatalidades, mas que têm acontecido no mundo inteiro e isso me preocupa e me chateia bastante porque eu amo esse esporte. Eu perdi amigos como Swian, como Marronzinho, o Andrew McFarlane (que é um piloto australiano que eu corri com ele não só na Itália quando eu estava lá e que fiz amizade com ele, mas também a gente correu durante vários anos nos Estados Unidos) e isso me preocupa. Eu acho que gente precisa evoluir em questão de equipamentos de segurança, em questão de pistas… Eu estou sempre envolvido, pouca gente sabe, mas eu sou o atual líder da associação de pilotos no campeonato brasileiro. A gente criou a Elite MX, que é o mesmo nome da principal categoria do campeonato e acho que também foi uma categoria criada pela nossa associação, e a gente está muito preocupado em melhorar as pistas, aumentar a segurança, mas não só isso, como também tentar fazer o esporte crescer. E eu acredito que para melhorar a segurança cabe aos organizadores fazerem a parte deles, a gente precisa formar mais construtores de pistas que tenham um conhecimento técnico maior. A gente tem pouquíssimos construtores de pista que são ex pilotos de motocross ou que tenham uma experiência grande e tudo isso aumenta o risco. A gente deveria ter uma condição financeira melhor para que nos treinos houvesse uma ambulância, bandeirinhas nas pistas onde existem mais de uma moto ou duas treinando, mas o esporte ainda está engatinhando nesse quesito e é algo que preocupa e acho que não só os pilotos deveriam estar preocupados, mas a confederação brasileira tinha que fazer algo não só no campeonato brasileiro, mas através das suas federações e através moto clubes para poder incentivar a segurança no esporte porque eu tenho certeza absoluta que a gente perde muitos praticantes por conta desse medo que se criou e tenho feito algumas coisas junto a associação de pilotos, a gente sempre se preocupa, sempre que estou em um evento eu tento opinar, mas eu acho que o principal seria os organizações e uma conscientização geral, daqueles praticantes e das pessoas envolvidas no esporte, do quanto é importante fazer pistas seguras, resgate, bandeirinhas bem treinados para diminuir o risco que infelizmente é grande no esporte que a gente ama e que vai deixar de praticar por conta desse risco.

MMXCrossWorld – Sempre quis conversar com você sobre a etapa de Cachoeiro do Itapemirim na Superliga Brasil de 2010. Aquela corrida ficou marcada entre nós amigos e pela família do Swian. Vocês dois travaram um dos duelos considerados mais espetaculares da história de um campeonato nacional durante a bateria da MX1. Você sabia disso? O que você lembra daquela corrida?
Balbi – Com certeza foi uma prova que ficou marcada. Cachoeiro do Itapemirim foi uma grande prova, eu estava em uma fase muito boa, em 2010. Eu lembro que indo para a corrida de Cachoeiro eu já sabia que naquele final de semana, o Swian seria o adversário a ser batido. Ele vinha na melhor fase dele né, no ano de 2010. E eu sabia que Cachoeiro do Itapemirim seria a a corrida mais difícil do ano, talvez, contra o Swian porque ele era um cara que apesar de ser mineiro, ele sempre correu naquela região, treinou muito naquela pista e é uma pista em que ele se dava muito bem, uma pista de alta velocidade, de chão duro e ele se destacou muito ali. Talvez o primeiro pódio do Swian tenha sido em Cachoeiro, talvez a primeira vitória, enfim. Ele era um cara muito rápido naquele tipo de pista, naquele tipo de terreno. E em 2010 não foi diferente, a gente duelou na primeira bateria do início ao fim, ele largou na frente, eu ultrapassei ele, ele ultrapassou de volta. Enfim, a gente fez 30 minutos mais duas voltas e na última volta, eu tentei atacar, mas o Swian acabou levando a melhor na primeira bateria. Foi uma corrida linda que graças a Deus a gente tem essas imagens gravadas para poder relembrar e vivenciar esse momento. E principalmente por ter acontecido ali. O Espírito Santo é um estado que é fronteira com Minas Gerais, estado que eu e Swian somos naturais, então a gente tinha muito torcedor ali naquele final de semana e o público vibrou bastante. Foi uma corrida linda na segunda bateria, também não foi diferente, a gente vinha disputando, eu era líder até 25 minutos de prova e infelizmente acabei caindo. Foi um final de semana perfeito para Swian, que ele levou a melhor, mas que me deixa saudades também porque era um adversário que a gente sempre tinha boas disputas, disputas limpas, independente de quem vencia no final. Era sempre divertido correr contra ele.

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O épico duelo de Cachoeiro em 2010

MMXCrossWorld – Vamos falar da sua carreira. Quais os momentos e títulos que mais te marcaram?
Balbi – Olha, graças a Deus eu tive uma carreira bem longa e é difícil selecionar um momento. São várias. Desde a minha primeira vitória em campeonato brasileiro, uma disputa muito legal com o Massoud, onde eu passei na última curva para vencer. Também o meu primeiro título em 1999, eu tinha só 17 anos na categoria MX2, antiga 125. Depois disso os títulos nacionais na principal categoria, depois a ida para os Estados Unidos. Anaheim 1 de 2005 onde me classifiquei para a final em uma prova inusitada, primeira etapa do Supercross e eu brigando com Jeremy McGrath para me classificar, enfim. Daytona com certeza, eu acho que é o momento maior, vencer a classificatória de um cara que eu sempre fui muito fã, correndo contra Kevin Windham em um dia que a gente tava na Flórida e estava lotado de brasileiro na arquibancada e sentia aquele público nos EUA vibrando, teve um sabor muito especial. A prova de Unadilla também, em 2008 onde eu consegui terminar na 4a colocação, foi uma corrida muito bacana. Motocross das Nações em 2010 onde a gente não tinha mais esperança nenhuma de classificar e na última bateria do dia eu consegui tirar o 5º lugar ali e brigando com Clement Desalle a corrida inteira. Enfim, são inúmeros momentos. Em 2011, venci a Superliga onde tinham vários estrangeiros, eu venci disputando contra a Honda dentro da casa deles o que fez o diferencial na minha volta ao Brasil. Enfim, são inúmeros momentos que deixaram marcado. Em 2015, vencer o título da Copa Minas Gerais, foi um ano em que os estrangeiros já estavam presentes. O Adam Chatfield, o Campano, todo mundo participou nesse campeonato e eu venci em casa em uma disputa brilhante com Jean Ramos. Uma história legal também foi meu título latino americano que me lembro que fui correr sozinho na Bolívia e tive que ficar trabalhando na moto até as 3 da manhã do sábado porque a moto bateu o motor e graças a Deus meu pai sempre me ensinou e eu sempre trabalhei com meu pai, era no início das 4 tempos e eu já sabia o que fazer e passei a noite toda em claro para poder trocar e acertar as válvulas, trocar pistão de uma CRF250 e no outro dia entrar na pista e ganhar as duas baterias e levar o título, foi uma vitória bem especial, o título latino americano e todos os outros campeonatos nacionais que eu venci, cada um teve um gostinho especial. Enfim, são inúmeros momentos de uma carreira que foi bastante duradoura e que me deixou e me deixa muito orgulhoso até hoje e é difícil selecionar um momento só, mas ai tem alguns que ficaram marcados e têm vários outros que não da pra falar aqui, mas esses ai talvez sejam os principais que eu me lembre assim de cabeça no momento.

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Jorginho e Mari

MMXCrossWorld – Agora sobre o Campeonato Brasileiro e Arenacross. Como você avalia a evolução dos campeonatos desde que você começou sua carreira até hoje?
Balbi – É difícil entender o que acontece com o campeonato brasileiro, na verdade com o motocross, o motociclismo em geral no Brasil, é muito inconstante. Eu acredito que infelizmente, não sei se é uma questão cultural, o esporte não é dado continuidade no Brasil. Eu acompanho o esporte há muitos anos e mesmo antes de eu começar a acompanhar, por exemplo a gente teve o, vamos considerar o Hollywood de Motocross o campeonato nacional da época nos anos 80 e ele cresceu assustadoramente. O motocross figurou entre talvez os maiores esportes na época e não foi feito um trabalho talvez naquele época para ele continuar. Infelizmente o campeonato é sempre refém de um patrocinador ou de alguém que entre em determinada situação e faça ele evoluir. Depois da Hollywood, as marcas de cigarro pararam de patrocinar, o campeonato praticamente desapareceu, voltou a ser um campeonato totalmente amador e ai começou a ser feito um trabalho, que eu acho que talvez possa dizer a nova alta que o esporte teve, essa oportunidade, essa alegria que a gente teve sorte de fazer parte que foi quando a Skol começou o Brasileiro de Supercross, o Skol Supercross. Ai a gente teve campeonato na Globo, a gente teve um campeonato de várias etapas, com excelentes premiações, a gente um campeonato forte novamente e de novo, quem administrava na época não se preparou para a saída da Skol, que ficou uns 4 ou 5 anos patrocinando se não me engano, e de repente a Skol resolveu sair naquela oportunidade e a gente viu o campeonato engatinhar. Felizmente talvez tenha sido a época mais bem preparada da confederação. Saiu a Skol e o campeonato, se não me engano acho que foi o ano de 1999 que foi o último ano do Supercross, e a gente não teve campeonato de Supercross no ano seguinte, mas o brasileiro de motocross se consolidou, veio a ser um campeonato forte em 2000-2001, a CBM da época do Lincoln, enfim, voltou a crescer. A gente tinha um campeonato com boas premiações, gate cheio e infelizmente com a mudança da presidência da CBM, o campeonato voltou a cair e a gente sempre é refém dessa onda de altos e baixos, acho que isso tem a ver com a economia do país, mas talvez o que determine essa inconstância seja a falta da preparação de um bom promotor, das pessoas envolvidas, de saber que vão haver momentos difíceis e se preparar para isso. É difícil pra mim apontar dedos, mas talvez na época do Skol Supercross, onde tinha muito dinheiro, se tivesse feito um fundo talvez para criar projetos, buscar novos patrocinadores, enfim… A gente sabe que empresas grandes no mesmo momento que podem patrocinar e apoiar, no ano seguinte basta que mude um diretor e a situação pode mudar. E o esporte não pode ser refém disso. A gente vê em países de primeiro mundo que mudam os patrocinadores, mas o campeonato continua acontecendo. E no Brasil quando sai um patrocinador grande, o campeonato sofre muito. E eu creio que falta um pouco mais de planejamento, planejamento da confederação brasileira, eu acredito que a gente precisa de planejamento para ter promotores organizando um campeonato, onde a gente possa fazer projetos a longo prazo e não depender somente de um patrocinador, e sim de vários e trazer novas empresas. Eu acho que a palavra certa é planejamento, coisa que não acontece. E a gente falou ai de um período de 30 anos onde o campeonato teve muitos altos e baixos e eu, sinceramente, gostei muito do campeonato brasileiro de 2018, se comparado aos anos de 2015, 2016 e 2017. Eu acho que foi o melhor campeonato que a gente teve nos últimos anos. O campeonato voltou a crescer, a gente teve excelentes etapas, mas ainda falta muito. Se a gente olhar para trás e ver talvez os anos de 2003, 2004 onde a gente tinha um campeonato fortíssimo, diria voltando mais atrás ainda quando a gente teve o Skol Supercross, nem vou falar do Hollywood de Motocross né. A gente teve um bom campeonato esse ano, mas o campeonato não tem premiação e os pilotos, se não estão em uma grande equipe, ainda sofrem muito para conseguir acompanhar um campeonato, enfim… Eu acho que é preciso planejamento para o campeonato volte a crescer, que atinja um nível legal e que consiga se manter em um bom patamar independente da situação econômica do país. A gente não pode ter essas ondas ai. Eu falei pouco sobre o Arenacross, mas eu entendo a situação econômica e financeira do país, mas é muito ruim que um campeonato acabe fora da pista. Campeões sendo definidos sem poder realmente disputar o campeonato que era previsto para ser cinco etapas e acabou com quatro. Isso é ruim para o esporte, para os pilotos, para quem patrocina, perde um pouco de credibilidade. O Arenacross vinha crescendo muito, mas infelizmente no campeonato tem sofrido bastante nos últimos anos. E eu não quero aqui apontar dedos, mas realmente deixou a desejar novamente no ano de 2018.

MMXCrossWorld – Quais as suas previsões para a temporada 2019 do brasileiro?
Balbi – A expectativa para 2019 não é nada boa. A gente já tem uma notícia muito ruim. O campeonato vai começar no meio de Abril e a gente ainda não teve um calendário anunciado, então eu acredito que 2019 volte a ser um ano que o campeonato no mínimo não vai crescer. E eu acredito que isso não poderia acontecer de forma alguma. Já que a gente está muito longe de ter um campeonato nacional ideal e com certeza se o brasileiro não caminha bem, todos outros regionais e estaduais vão pelo mesmo caminho. É preciso que o campeonato volte a crescer. Em relação as previsões sobre a parte técnica, é uma coisa que acredito que cresceu muito nos últimos anos. O profissionalismo das equipes, hoje temos grandes equipes no nacional. Isso é muito importante! Desde a época que eu comecei a competir, eu acho que as equipes estão no ápice do nível profissional. Posso citar algumas, a Yamaha Geração, a Honda Oficial, a minha Kawasaki Pro Tork Racing, a EMG Kawasaki, enfim… temos grandes equipes profissionais e isso é muito bom para o esporte, mas eu acredito que para que mais equipes entrem no campeonato, a gente precisa de bons campeonatos. E essas equipes precisam aparecer de alguma forma na mídia para que a gente possa trabalhar patrocinadores de fora do mundo motociclístico. E quanto a parte técnica, eu acredito que a gente vê uma excelente época, uma de safra de pilotos na MX2, que me surpreendeu no ano de 2018. A gente tem o Gustavo Pessoa, o Fábio Moranguinho, temos que falar da presença do Enzo Lopes, apesar de ele não ter corrido no campeonato brasileiro, ele é o piloto da categoria MX2. Ele é o maior piloto que a gente tem. A prova disso que com três pilotos da categoria 250cc, a gente conseguiu ter o Brasil de volta no Motocross das Nações e isso é fantástico. E a categoria MX1 com a presença dos estrangeiros e dos grandes talentos brasileiros, a gente tem um campeonato muito forte.  É um campeonato bonito de se assistir, os pilotos são muito bem preparados. Então, eu acho que 2019 dentro da pista, no quesito competição a gente vai ter um grande ano. Eu acredito que na MX2, o Moranguinho tem tudo para ser o destaque.

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Nações 2018 em RedBud
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Cairoli, Balbi, Mari e Jeff Emig em Red Bud 2018 – Photo by: Facebook Mariana Balbi
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Team Brasil 2018

MMXCrossWorld – Você acompanhou o team Brasil no Nações deste ano. Você é o piloto que possui mais experiências naquele campeonato. Como você avalia a evolução das equipes que representaram o Brasil desde a sua primeira participação até a equipe de 2018?
Balbi – Para mim é muito legal falar da história do Brasil no Motocross das Nações. Eu conheço essa história, não é uma história longa, mas que eu fiz parte e tenho um orgulho e alegria de dizer, e até a sorte, que eu participei de todas as equipes que integraram a final do Nações. Das cinco vezes que o Brasil esteve presente na final, eu estava nas cinco. Em quatro delas como piloto e na última ajudando como team coach do Motocross das Nações, ajudando os pilotos. Acredito que a gente teve algumas fases. É difícil falar a melhor equipe, mas eu acredito que a melhor equipe que tivemos até hoje foi o team de 2008. Era eu, o Leandro Silva e o Wellington Garcia que acabou correndo, embora o team escolhido na época tinha o Jean Ramos. Mas foi um team muito forte, independente de ter sido Wellington ou Jean, foi uma participação muito boa. Eu vivia minha melhor fase e até hoje como piloto foi o melhor ano da minha carreira. Eu tava muito forte, tanto que a gente bateu, a gente deu o azar com a quebra mecânica tanto minha quanto da moto do Leandro no sábado, que fez a gente ir para a final B. No domingo, a gente venceu a final B, do team muito forte da Irlanda, praticamente Irlanda e da Inglaterra correndo em casa e eu lembro até hoje dos torcedores ingleses vaiando a gente e quase pulando dentro pista porque a gente estava eliminando o país local. E sinceramente, o Leandro nessa ocasião era um piloto muito forte, ele estava muito bem na categoria, na moto 450. Até então, em 2018 ter visto o Enzo andar no Nações, eu acredito que o Leandro foi o único piloto que realmente conseguiu andar no nível que eu andava no Motocross das Nações, nas participações que a gente teve, e o Enzo fez isso este ano. Foi um team muito forte. Eu e o Leandro estávamos numa fase muito boa e a gente conseguiu um 14º lugar e talvez poderia ter sido melhor, infelizmente o Wellington estava machucado naquele ano e nas finais ele não conseguiu render o que a gente sabe o que o Wellington Garcia é capaz. Mas aquele, na minha opinião, era um team muito forte e foi o mais forte até hoje. Mas eu acredito que em breve, talvez até 2019, e com certeza em 2020, se for feito um trabalho e se for dado uma continuidade com o team que a gente startou em 2018 com Gustavo Pessoa, Fabinho e Enzo, a gente tem que lembrar que eles são pilotos muitos jovens e já classificaram o Brasil, e eu acredito que em dois ou três anos a gente vai ter um team para andar entre os dez e com certeza vai superar o nosso feito de 2008 e é o que eu torço que aconteça porque eu quero ver o Brasil bem representado. Os meninos representaram o Brasil muito bem esse ano, com pouquíssima experiência, exceto Enzo Lopes que estava com seu próprio equipamento e moto oficial, tanto o Gustavo quanto o Fabinho não tiveram uma boa estrutura, mas lutaram e representaram muito bem o Brasil. Então, como eu disse… desde que seja feito um trabalho, seja dada a continuidade, eu não vejo outro team a não ser que apareça um outro piloto que me surpreenda na temporada 2019 ou que um desses três se lesionem e não possam participar, eu acredito que a gente tem um team formado para os próximos anos e é um team muito forte. Atualmente, eu acredito que 2008 tenha sido o melhor team e talvez por um pouquinho de azar a gente não ter conseguido estar bem próximo do top 10, mas eu vejo o Brasil muito bem no futuro no Motocross das Nações, desde que seja feito um trabalho e seja dado a esses pilotos condições para isso.

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Motocross das Nações 2008 em Donington Park – Inglaterra

MMXCrossWorld – Como você avalia a temporada 2018 do AMA SX, AMA MX e Mundial de Motocross? Quais as suas previsões para os campeonatos gringos em 2019?
Balbi – Vamos começar com o AMA Supercross, vamos na ordem cronológica. Foi um ano que muito se esparava e foi realmente um ano muito legal. A gente teve vários pilotos ganhando corrida, o Eli Tomac o mais rápido, o Ryan Dungey deixou um espaço que a gente queria ver quem ia assumir o lugar e ser o campeão talvez do AMA Supercross, que na minha opinião é o maior e mais valorizado campenato do mundo. O Jason Andeson acabou surpreendendo todo mundo. O Tomac como sempre foi o mais rápido, mas errou muito e acabou perdendo o campeonato por não conseguir ser consistente. O Anderson surpreendeu todo mundo e venceu quando era preciso vencer, administrou quando precisava administrar e foi brilhante na temporada de 2018 sendo campeão. A gente teve Marvin Musquin vencendo algumas corridas, o Justin Brayton que surpreendeu vencendo sua primeira prova com uma idade já avançada. Foi um campeonato muito legal. E eu creio que em 2019 tem tudo para ser mais bacana ainda, com certeza é o campeonato que mais gosto de assistir porque é um campeonato muito competitivo. E já falando de 2019, quem vai ganhar a gente não sabe. No Motocross, o Tomac dominou de uma forma bem mais tranquila do que no ano anterior. Também foi um excelente campeonato. Mas ele teve uma certa facilidade para ganhar esse ano. Com a lesão do Roczen no Supercross, ele acabou tendo só o Musquin para brigar de igual pra igual. O Anderson acabou se machucando também e ele era um cara para podia ter incomodado um pouco mais. Então ficou fácil para o Tomac. A gente vai ter que esperar todo mundo saudável em 2019 para ver quem vai encomodar. E agora o Campeonato Mundial de Motocross que eu gosto muito de acompanhar também. A gente viu o Jeffrey Herlings dominar, e que me deixou muito triste porque eu muito fã do Cairoli, não só como piloto e por tudo que vem no esporte, mas também pela simpatia do italiano. Mas o Herlings realmente trouxe um motocross para um nível quase que assustador. Ele domniou o campeonato de uma forma brilhante e então não tem muito o que falar. Nas categorias de base, na MX2, o único piloto que realmente me surpreendeu nessa temporada 2018 foi o Jorge Prado, o espanhol andou muito no Nações e acho que para parar o Herlings no futuro vai ser o Prado daqui uns 4 ou 5 anos, enfim… é difícil saber quando. Mas eu vejo o Herlings só perde para ele mesmo nas próximas temporadas. Eu vou continuar torcendo para o Cairoli, eu sei que ele ainda é competitivo, ele vai vencer corrida, mas para ganhar um campeonato do Herlings com o motocross que ele apresentou esse ano somente uma lesão, como eu disse: o Herlings só perde para ele mesmo. Enfim, a gente vai ter que aguardar o Motocross das Nações. Acho que a Europa evoluiu muito nos últimos anos e hoje o motocross europeu é mais forte do que o motocross americano, mas a gente lembra que nos Estados Unidos eles participam do motocross e supercross e o foco deles é muito bpm no Supercross então é muito difícil falar qual dos dois motocross é maior, o europeu ou o americano. Com certeza o Nações esse ano vai ser dominado pelos europeus porque é uma pista de muita areia e para gente ter um tira-teima a gente vai ter que esperar 2020, um Nações onde uma pista de chão duro e condições que sejam mais propícias para os americanos, a gente tenha um tira-teima para saber qual motocross é mais forte. Mas eu acredito que os europeus evoluiram muito nos últimos anos e vai ser dificíl tirar o Motocross das Nações deles nos próximos anos, a não ser que a gente veja os americanos realmente colocando um foco maior e se preparando melhor para essa competição.

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AMA Supercross 2011 quando disputou a Costa Oeste
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AMA Motocross em Southwick

MMXCrossWorld – E para o ano que vem? Quais os planos e expectativas para o Balbi?
Balbi – Meus planos para 2019 são continuar fazendo meu tratamento, minha reabilitação. Isso é um trabalho que não acaba nunca e apesar de longo e demorado, eu continuo vendo alguns resultados, ainda é possível um pouco. Então eu continuo acreditando que tenho muito para evoluir e muito para ganhar. Estamos numa luta danada com a equipe para renovar  os patrocinadores, eu tenho muita vontade e a gente pretende continuar com a equipe, mas o cenário no momento não está muito fácil. Assim, já renovamos com alguns patrocinadores e pilotos, mas ainda não está tudo 100% certo para que eu possa anunciar. E de novidade, desde o início do 2º semestre junto com a Mariana e outro sócio meu, eu tenho alguns negócios na cidade de Montes Claros, interior de Minas Gerais. Eu já tenho uma academia e alguns negócios lá e a gente abriu uma distribuidora de moto peças, mais para abranger o mercado de motos de rua mesmo e está dando muito trabalho. Se chama BW3, mas está indo muito bem graças a Deus e a gente está bastante esperançoso e ansioso para conquistar bons resultados com a BW3 na cidade de Montes Claros. E tanto também com a equipe. Eu acredito muito no motociclismo brasileiro e quero muito poder continuar trabalhando e contribuindo para que o Motocross brasileiro possa se tornar um grande esporte um dia.

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Brasileiro de Motocross 2016 em Paty do Alferes

MMXCrossWorld – Jorginho, muito obrigada pela atenção e simpatia! Espero que goste do MMXCrossWorld. Seja sempre muito bem vindo, estamos a disposição. Desejo a você e sua família um Feliz Natal e um Ano Novo de muita prosperidade, felicidade, saúde! Que Deus os abençoe e ilumine sempre! Agora o espaço é todo seu.
Balbi – Eu que agradeço pela oportunidade. É sempre um prazer falar de motocross, é um esporte que eu devo tudo que tenho a ele e que eu amo muito. Também quero agradecer aos meus fãs, graças a Deus tem muita pessoa que  vibra pelo Balbi independente de dentro das pistas ou fora, nas corridas e nas redes sociais eu recebo muito apoio e carinho dos fãs. A gente tem uma experiência muito legal com o apoio que os fãs me deram para eu poder ir contribuir e participar do Motocross das Nações esse ano. Eu sou muito grato as pessoas, ao público do motociclismo brasileiro que tem um carinho muito grande com o Balbi e com minha família e desejo a todos um Feliz Natal e que Deus possa abençoar muito a família do MX e que a gente possa ter um 2019 mais positivo, a gente vê ai uma mudança política no nosso país e espero que essas mudanças venham para o bem e que Deus possa abençoar nossa nação e que nosso país passe a ser um país menos corrupto e que a gente consiga fazer desse esporte que é nossa paixão algo prazeroso, divertido e que não seja tão caro e tão difícil de se praticar no Brasil.

Cover photo by: Tiago Lopes

 

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