O Supercross contra o câncer

Ryan Dungey tornou seu nome sinônimo do St. Juder Children Research Hospital (Hospital de Pesquisa de Câncer Infantil de Saint Jude), começando com sua corrida de caridade depois da etapa de Spring Creek (que terá mais uma edição este ano no dia 21 de Julho até o Afton Apple Orchard). Começando em 2017, o AMA Supercross e a Feld Entertainment também embarcaram nessa e agora quase todo piloto no pit participa da campanha de arrecadação de fundos chamada de This Shirt Saves Lives. Hoje, lá nos Estados Unidos, começou um leilão de algumas mercadorias de alto valor do Supecross e todo o dinheiro arrecadado será direcionado ao St. Jude. Confira o site do leilão aqui

O último final de semana em Nashville foi excepcionalmente grande porque o hospital é localizado em Memphis, no Tennessee. Diversos VIPs do Supercross, incluindo o próprio Dungey, é claro, fizendo uma visita as instalações. O atual campeão, Jason Anderson também foi até lá para conhecer as crianças na quinta feira.

Para quem não conhece, St. Jude é um hospital para crianças portadoras de câncer. O objetivo é que os pais nunca vejam uma conta hospitalar para que eles possam se concentrar em seus filhos e nos tratamentos ao invés de se estressarem com despesas.

Dungey first got to know the story behind St. Jude in 2005 when his grandmother was battling cancer.Dungey conheceu a história por trás de St. Jude pela primeira vez em 2005 quando sua avó estava lutando contra o câncer. – Photo by: Rich Shepherd

Os laços de Dungey com o programa são profundos, incluindo sua conexão com um garoto chamado Gabe, que começou a andar de moto aos 6 anos de idade e a correr aos 7. Gabe agora tem 9 anos, é um paciente em St. Jude e está na cadeira de rodas. Ele foi tratado com sucesso para meduloblastoma, um tumor canceroso no cérebro, mas tem síndrome de fossa posterior (PFS), que pode aparecer após cirurgia neurológica e afetar a fala, a linguagem, habilidades motoras e o humor.

Alguns casos de PFS são leves e apenas temporários. O caso de Gabe é severo, tão severo que quando ele chegou a St. Jude para se tratar em Abril de 2018, depois da cirurgia para retirada do tumor realizada próxima a sua casa em Illinois, sua mãe Andrea diz que ele não podia fazer nada além de abrir os olhos por um segundo.

“Foi tão grave que o cérebro dele precisa reaprender a fazer tudo. E isso inclui respirar, falar, andar.” Ela disse que já tiveram “grande progresso”, mas “muito não voltou ainda.”

Gabe agora está livre do câncer, mas ainda está em recuperação. Ele foi o convidado especial de Dungey na etapa de Minneapolis e também em Nashville.  Conheça mais sobre a história de Gabe aqui (lembrando que o site está em inglês).

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Gabe – Photo by: St. Jude

Em Nashville, Dungey e Andrea explicaram a conexão dos dois para o site RacerX.

Racer X: Quando você conheceu o programa de St. Jude pela primeira vez e qual é história dessa origem?
Ryan Dungey: Para mim, começou na verdade no início de 2005 com minha avó lutando contra o câncer e tudo mais. Eu estava procurando uma maneira de retribuir. No começo eu estava pensando em uma fundação. Eu tinha uma parceria com um dos meus patrocinadores, a Target, e eles nos levaram à Target House (a instalação de alojamento a longo prazo para os pacientes de St. Jude e suas famílias). Nós pudemos ver tudo e passar um tempo com as crianças. Eles fizeram uma grande festa e todos estavam do lado de fora curtindo e essa foi um pouco da minha primeira experiência com tudo isso. Logo depois disso, nós conseguimos um tour pelo hospital. E isso me fez decidir. Esse é o lugar que quero apoiar. Logo depois nós criamos um evento de caridade de ciclismo em Minnesota chamado de St. Jude Ride e 5K Run. 100% dos fundos vão para St. Jude e esse é o objetivo, mas no começo era a Target House. Eu consegui ver tudo pessoalmente.

Racer X: Uma coisa é ver isso de longe e todo mundo respeita o que o St. Jude faz, mas quão diferente é quando você conhece pessoas como Gabe?
Ryan Dungey: Falar sobre isso é uma coisa, mas ir lá e testemunhar em primeira mão… Você sempre escuta como é uma mudança de vida, mas realmente é. Toda vez que vou a St. Jude e faço uma visita e vejo o lugar, eu aprendo mais desde a pesquisa com os pacientes e como eles cuidam para que as famílias nunca recebam uma conta para pagar até tratamentos personalizados para cada criança com câncer e suas consequências. Mas para mim, tem sido muito inspirador estar lá, ajudar e retribuir. Ver minha avó passar pelo tratamento de câncer, me senti perdido. Como, o que posso fazer? Mas tem muito que você pode fazer. O lugar funciona através de fundos e doações individuais e parcerias. Também é incrível como tudo aconteceu com Gabe, conhecê-lo e sua família e ouvir a sua história. Nós estávamos apenas visitando St. Jude um dia e fazendo o tour e a Feld estava lá com a gente também. A família de Gabe nem sabia que iríamos, na verdade eles viram pelas redes sociais que nós estaríamos lá no mesmo dia que eles. Estávamos assinando autógrafos para todas as crianças. Quando tudo acabou, nós estávamos nos preparando para ir embora e lá estava Gabe. Sua mãe nos chamou e “Hey, vocês ainda estão aqui?” Nós estávamos saindo do elevador para o próximo prédio. Então, eles vieram, nos conhecemos e logo depois estávamos querendo levar ele a uma corrida. É incrível. Gabe cresceu piloto uma KTM 50cc e por isso tem essa conexão. É muito especial. Eles chamam isso de momentos de St. Jude. É realmente um momento. Eu acho que todos nós ficamos sem palavras.

“Eu sempre quis fazer alguma coisa. A vida é maior do que cada um de nós.” – Photo by Rich Shepherd

Racer X: Como vocês se sentem com a conexão agora com o supercross? Obviamente, existia uma conexão com Ryan antes, mas agora vir a Nashville foi algo muito maior e com muita mais atenção.
Andrea, mãe do Gabe: Absolutamente. Tem sido incrível, só em ver todo mundo que tem ajudado e nos trazendo para cá, passando um tempo com Ryan e com os outros pilotos e também poder testemunhar todo esse evento. É muito bom ver momento educacional e feliz em uma situação muito difícil.

Racer X: Então vocês já gostavam de motocross. Nos hospital, vocês podiam ter conhecido um jogador do Titans (NFL) ou uma celebridade de outra coisa. Só aconteceu de o esporte que vocês gostassem tivesse Ryan Dungey passando pelo hospital. Isso é muita sorte.
Andrea: Sim, motocross era a paixão de Gabriel antes de vir para cá. Ele corrida nas 50cc. Ryan ficou assim “Eu vou ajudá-lo um dia.” E quando ele veio a St. Jude, eu fiquei meio que “Ai meu Deus.” Nós o perdemos. Não achávamos que iríamos conseguir vê-lo. Então nós fomos lá e Gabriel ficou encantado. Só ficava olhando para ele e não disse nada. Ele ficou tipo “Isso realmente está acontecendo?”

Racer X: Ryan, você já pensava em uma fundação ou algum evento de caridade quando jovem. Eu não conheço nenhum piloto que faz isso. Qual é a sua inspiração para isso?
Ryan: Acho que antes de me tornar profissional, eu pensava o que eu podia fazer? Depois eu pude me profissionalizar e percebi rapidamente o tamanho dessa plataforma. Na verdade foi engraçado, eu estava sentado outro dia no avião e me esqueci completamente, mas nós estávamos no meio de criar uma fundação e eu estava vendo ums emails antigos. Eu estava no meio disso quando nós decidimos não seguir esse caminho e criar um evento de caridade para St. Jude. Eu sempre quis fazer algo. A vida é maior do que cada um de nós. Eu sinto que tenho muita sorte, mesmo ao longo de minha carreira de piloto, fazer o que fazia para viver, mas definitivamente eu acho que você olha a vida através de um telescópio e o que é a vida? Correr é muito pequeno comparado a muitas coisas. Conhecer Gabe, nunca percebi isso, mas aquela esperança para ele e a motivação de superar tudo e agora ele está livre de câncer e está seguindo em frente, todos nós precisamos disso. Acho que é importante, principalmente ter uma boa atitude quando está passando por situações como essa e apenas ser luz para outras pessoas.

RacerX: Você até disse no final de sua carreira que isso te ajudou a tirar a pressão do lado da corrida porque vocês estava vendo tudo de uma perspectiva um pouco maior do que o resultado no final da noite.
Ryan: Sim, ajudou. Eu odeio usar isso. Eu nunca quero usar isso para benefício próprio, mas acho que isso colocou as coisas em perspectiva para mim. Todos nós nos aborrecemos quando ficamos em terceiro lugar e ai você entra no hospital e vê que eles são os verdadeiros heróis. Nós as vezes somos um bando de rainhas do drama com o que estamos passando (risos). É verdade. Eu sempre quis apreciar o que fazíamos para viver, o que eu pude fazer para viver e nunca quis dar por garantido que você precisa correr para viver.

 

Cover photo by: RacerX

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